segunda-feira

Artigos: Do Fracasso ao Sucesso Profissional


O que você vai ser quando crescer? Desde muito cedo, nossos pais e a sociedade nos colocam de frente com a responsabilidade de sermos “alguém na vida”. A cobrança é para que comecemos a pensar e escolher qual será nossa profissão no futuro. Crescemos com uma responsabilidade que é passada de geração em geração, e desde muito cedo, nossos pensamentos são povoados tal escolha. O reconhecimento e o sucesso profissional são almejados por todos aqueles, que de alguma forma usam sua capacidade para criar e gerar desenvolvimento, em qualquer área de atuação e isso é cultural.

Em muitos casos, continuamos querendo o que queríamos, mas na maioria das vezes, novos caminhos se apresentam e optamos por outras escolhas. Poucos são aqueles que tornam-se “astronautas”. Seguir a profissão dos pais, profissões do futuro ou profissões que garantirão com mais facilidade um alto retorno financeiro. A escolha nem sempre é baseada no prazer que se obterá exercendo tal função. E isso pode ser um grande colaborador para o fracasso profissional, senão este, o fracasso enquanto ser humano realizado. O que acaba influenciando e extrapolando para a vida pessoal.

É necessário pensar mais a fundo na escolha da profissão, pois é provável que passe a maior parte da sua vida exercendo essa escolha. O trabalho deve dignificar o homem e não escraviza-lo, pois quando exercemos uma profissão da qual não gostamos, isso é uma forma de escravidão, um fazer a contra gosto. Esperar a aposentadoria para se fazer o que gosta, nem sempre é uma boa escolha, a sensação de ter perdido o tempo ou a vida pode ser arrebatadora, trazendo dor e sofrimento.

Fracasso Profissional

Certamente qualquer indivíduo quando traça uma meta, começa um novo trabalho ou negócio, não espera fracassar. Todavia, às vezes acontece e isso faz parte, é natural. Em nada pode-se garantir cem por cento de sucesso. Ninguém é infalível, porém, sempre é possível recomeçar de um novo jeito, aprender com o que passou e aumentar as chances de sucesso no próximo intento.

Nossas primeiras aprendizagens são tentativas entre erros e acertos, fracassos e sucessos, e isso é considerado normal, pelo fato de estarmos no início de tudo, onde o mundo é um total desconhecido. Com o passar dos anos, vamos sendo cobrados cada vez mais e já não se pode errar, como se a vida nunca oferecesse novidades, fosse sempre uma repetição constante sem dinamismo. Cada situação ou problema requer uma nova solução, temos sim mais experiência, entretanto estamos sujeitos ao fracasso, pois as variáveis são infinitas e nem todas dependem de você. Ocorrido o fracasso, além da cobrança do outro, vem a autocobrança, podendo ser acometido pela depressão e um enfraquecimento geral, não conseguindo reagir a tempo de dar a volta e se recuperar num patamar já acima. As chances de erro e acerto são as mesmas, aumentando ou diminuindo, dependendo de como este indivíduo lida com o que acabou de acontecer.

Frustrações

Somos moldados para vencer, para ser o primeiro da classe, no futebol, no judô, na natação ou qualquer outra atividade de competição. Além desta, a competição “caseira”, onde você precisa competir com seus irmãos, seus primos, ser tão bom quanto o pai, o tio, o fulano e o cicrano. Com esta educação, vai ficando cada vez mais difícil lidar com a frustração. Não aprendemos ser melhores independente do outro, a dar o melhor de si, dar nosso máximo para superarmos a nós mesmos; precisamos superar o outro, e isso nem sempre é possível, porque cada ser é único, tendo suas limitações e superações. Assim, somos derrotados e nos sentimos fracassados. E para agravar, a falha ou derrota é motivo de castigos, vindo dos pais, professores ou chefes. Ninguém gosta de perder, errar ou fracassar. Também ninguém estabelece um objetivo para fracassar, a questão é que as vezes acontece, e precisamos aprender a lidar com isso. Caso contrário sofremos e não tiramos nenhuma lição positiva. Toda experiência é uma oportunidade de aprender a ser e fazer melhor.

“Puxaram seu tapete”

O que fazer quando alguém puxa o seu tapete? Todos estamos sujeitos a esse tipo de golpe na carreira profissional. Isso porque o mundo corporativo nem sempre é um mar de rosas e acolhedor. Prevalece a lei do mais forte, do mais influente, do mais astuto, do mais esperto. Quando você se torna a vitima, e é excluído do quadro de funcionários, é o momento de mudar seus conceitos, mudar suas estratégias e partir para um novo começo. Sempre é possível dar a volta por cima no melhor dos estilos. Uma nova empresa, um novo chefe, novos colegas ou mesmo o início de um negócio próprio. É importante carregar toda a experiência da empresa anterior, aprender com os erros e pontos negativos, porém, o que realmente deve permanecer são os aspectos positivos.

Transportar experiências é valido, entretanto, é importante avaliar cada situação, cada ambiente, para não correr o risco de agir da mesma forma para situações diferentes e vice-versa. As relações no trabalho são um jogo, é sempre possível confiar nas pessoas com certa cautela, é preciso estudar o ambiente para que aos poucos possa se mostrar, ganhar espaço e confiança dos pares, gradativamente. Buscar o equilíbrio profissional, em si mesmo e nas relações humanas, se faz necessário para permanecer no trabalho e conquistar o sucesso desejado. A percepção deve estar sempre aguçada, sabendo onde se está pisando, não ficando para trás, ou indo longe demais, antes do tempo necessário para o amadurecimento. O crescimento precisa ser sustentado, precisa ter base.

As pessoas estão em suas zonas de conforto, estão acostumadas àquela rotina. A chegada de um novo colega pode mexer com os padrões diários, e isso pode causar estranhamentos e desentendimentos no setor. Isso pode eliciar comentários preconceituosos sobre o novo funcionário, assim como, não ser bem visto frente aos novos colegas. Quando se quer produzir uma mudança na disposição dos móveis de uma casa, antes é preciso se enquadrar àquela realidade, conhece-la e criar empatia com os “moradores”. Após ganhar a confiança, espaço e criar rapport, é possível começar a sugerir algumas mudanças. Não sugira um prato novo, antes de provar o “prato da casa”.

Lidando com a mudança

A mudança pode ser vista como um risco ou como uma oportunidade. É possível estar preparado para a mudança e fazer os ventos soprarem a seu favor. É preciso arregaçar as mangas e começar a trabalhar, porque as oportunidades podem estar à sua frente, basta olhar com mais atenção. Se caso ainda não estiver vendo, mude sua forma de perceber, amplie seu campo de visão, procure ver mais longe, por outros ângulos. O óbvio as vezes é o que menos se vê, as soluções podem ser mais simples do que você imagina, e estar onde menos se espera. Seja ousado, vá além, você poderá surpreender-se consigo mesmo.

O processo de mudança pode ser uma promoção. Tornar-se líder. Para muitos é um sonho, para outros um pesadelo. De repente você se depara com a notícia: “você será o novo chefe do setor”. Isso pode implicar em inúmeros questionamentos internos. Será que sou capaz, será que serei um bom chefe. Como meus colegas me verão a partir de agora? Dependendo da assimilação e da interação interna, o indivíduo pode não conseguir lidar com a situação, aceitando ou não o cargo. Também é possível que como funcionário, você seja extraordinário, porém como chefe deixe a desejar e não consiga desempenhar a função, o que pode acarretar em demissão. Liderar pessoas não é tarefa fácil, é preciso saber relacionar-se e comunicar-se com o outro, além de ter o conhecimento. O líder deve ser um facilitador e estar junto com seu grupo. Em muitos casos há um distanciamento. Enquanto o grupo está na base da pirâmide, o líder está no topo, solitário e sem comunicação, não consegue descer e fazer com que toda a equipe cresça junto. Portanto, o aparente sucesso pode tornar-se um fracasso, se não soubermos administrar esse sucesso e o lugar que ele nos colocou.

Vitória na derrota

Cair é um forte indício de que houve um movimento, um caminhar. Só não caiu quem nunca aprendeu a caminhar, e quando estamos na caminhada, cair faz parte, tanto quanto se levantar. Se cair faz parte da caminhada, levantar faz parte da chegada. Só chega quem teve a força interior para suportar a queda e seguir sem desistir até o fim. Precisamos aprender a cair, isso faz com que nossa queda seja menos “dolorosa” e a recuperação mais rápida. Aprendemos a cair na medida em que nos abrimos, e estamos disponíveis a aprender com a própria queda; Quando começamos a perceber os buracos pelo caminho e já não vamos mais ao seu encontro, antes sim, os desviamos. Aprendemos a cair quando os próprios exemplos e de outros, servem de suporte para novas tentativas. Aprendemos quando ao receber um não, pensamos que desta forma estamos mais próximos do sim. O sim e o não estão misturados em um grande funil, e a cada instante cai uma das bolas. Se não foi desta, a próxima poderá ser a que você esperava.

Todos estamos sujeitos ao não, como uma demissão, por exemplo. Do pior ao melhor funcionário da empresa. De uma hora para outra nos tornamos supérfluos. A empresa não necessita mais de suas habilidades. Com a realidade global e da companhia, seus serviços não são mais necessários. Você foi um ótimo funcionário, mas infelizmente estamos enxugando o quadro. As possibilidades são inúmeras, das mais grotescas às mais polidas. Tudo para dizer que está demitido. Entretanto, é possível sair vitorioso de uma derrota? Talvez sim, dependerá de como o indivíduo verá a situação. Cada ponto de vista é a vista de um ponto. Cada um terá uma percepção diferente da mesma situação. Poderá ser uma visão pessimista ou otimista. Um verá o copo meio vazio, o outro meio cheio. Na hora da demissão, alguns profissionais conseguem fazer uma boa negociação, tanto financeira, quanto de boas recomendações para o novo emprego. Brigar não fará com que seja novamente aceito na empresa, e além de fechar esta porta, poderá fechar muitas outras. Diplomacia e polidez podem ser as chaves que abrirão muitas portas para sua carreira. Assim, o profissional poderá até sair com a sensação de frustração, mas continuará com a autoestima elevada e motivado para novos desafios. A demissão pode ser vista como um passaporte, uma passagem, um estágio de aprimoramento para o novo que está por vir.

Nada que diga respeito ao mundo corporativo deve trazer a sensação de estranheza, isso porque faz parte deste universo. Se fizermos parte deste mundo, estamos sujeitos, tanto às turbulências quanto aos momentos de serenidade. Quem desenvolve esta consciência, consegue fazer a travessia com maior facilidade e de forma mais rápida, pois sabe que é apenas uma passagem. Quem não assimila com naturalidade, perde a oportunidade de aprender, além de correr o risco de cair no esquecimento e saborear apenas o gosto amargo que a frustração pelo fracasso pode trazer, ficando estagnado e se lamentando sem dar a volta por cima. Fracassar é apenas um dos estágios para o sucesso, continue.

O sucesso depende de você

O conhecimento está cada vez mais democratizado, todo mundo tem acesso a tudo. Depende de cada um garimpar o que acha mais importante e necessário para sua carreira. A faculdade faz parte dos primeiros degraus da escada, os próximos serão galgados dependendo da motivação e do empenho de cada um, traçando estratégias e estabelecendo objetivos para serem alcançados no curto, no médio e no longo prazo. É preciso ir além. Depois que se chega ao sucesso, é necessário mantê-lo, e para isso, o contínuo aprimoramento e crescimento individual é primordial. O enriquecimento interno com informações valiosas e o conhecimento intimo de si mesmo, fará toda a diferença no mundo corporativo. E você pode tanto trabalhar para uma hierarquia, ou criar a própria hierarquia, buscando sua independência financeira e a liberdade de implantar seus projetos. Para isso é necessário preparação, disciplina e acreditar em si mesmo.

A palavra desistir não deveria fazer parte do vocabulário de quem busca o sucesso e o reconhecimento profissional, a menos que realmente queira abrir mão disso. Tentar de novo é a ordem do dia, de cada dia. Muitos grandes nomes corporativos passaram por situações de fracasso, mas não desistiram, e é por isso que conseguiram destacar-se e chegar aonde chegaram. Sem dúvida o caminho até o topo é longo, todavia dependerá apenas de você para chegar lá. Você é quem decidira o que quer ver impresso em seu currículo: persistente ou desistente. Não desista antes de tentar de novo, o lenhador sabe que não foi a última machadada que derrubou a árvore, mas sim a soma de todas as outras. Porém, se não fosse a última não teria conseguido. Persista, a oportunidade pode estar na próxima porta.

Não se tem garantia de um sucesso no presente, quem o teve no passado. Por isso a necessidade de inovar e ir mais longe. Aprimorar e estar aberto para o que está por vir. A roda viva do mundo não para, porque você pararia? Ou se entra no carrossel ou se assiste o contínuo girar e o contínuo lamentar-se de tudo o que poderia ter feito e não fez. Pense e aja rápido, a não ser que estrategicamente se aguarde o tempo certo. Assim como alguns estão no passado, muitos podem estar no futuro, demasiadamente distantes, para isso o equilíbrio, buscando outras possibilidades no presente.

Aquele que pensa ter todas as respostas, por certo não precisa mais aprender. É ai que está o engano. Parar de aprender é sinônimo de fracassar. Admitir a ignorância é o primeiro passo para a sabedoria ou o conhecimento, o que facilita o sucesso. É preciso reconhecer e se conscientizar do lugar em que você está. Não imaginar que está muito acima, nem muito abaixo do real. Sabendo onde se está, fica mais fácil saber de que ponto se deve partir para se chegar onde se quer. Assim, não subestimará sua capacidade, nem do outro ou o fracasso em questão. A percepção de que se está imune ou acima de qualquer fracasso já é um indicio de que provavelmente erros poderão acontecer, antecedendo fracassos.

O sucesso está alicerçado em pelo menos dois pilares, o profissional e o pessoal. Quando o indivíduo não consegue ter bem claro estes dois papéis e se liga em demasia a um deles, como por exemplo, a empresa, uma cegueira pode ser instaurada, e nada mais se vê além do profissional. Com isso, o pessoal fica claudicante perdendo o equilíbrio e as rédias da vida. O que pode resultar em efeitos colaterais como stress, síndrome do pânico, ataques cardíacos ou qualquer outro sintoma produzido no corpo ou na mente, como um aviso de que algo precisa ser mudado ou melhorado.

O sucesso é a consequência de um caminho que foi escolhido e seguido. Um contínuo de erros e acertos, um contínuo autoconhecer-se, com desenvolvimento técnico e psicológico visando alcançar os melhores resultados. É a disciplina diária que nos torna grandes profissionais, grandes homens e mulheres. Dentro de cada um de nós, existe um fracassado e um vitorioso, depende de cada um decidir o que vai ser, tanto no presente, quanto no futuro.
Odair Comin
Psicólogo Clínico e Escritor
Autor do livro: Filoterapia - Conhece-te a ti mesmo

Um comentário:

Tarcicio Andrade disse...

De certa forma, está com toda razão!

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